Rebobinando o VHS – “Sanguinários e Corruptos”, de Yves Boisset

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Sanguinários e Corruptos (Le Juge Fayard dit Le Shériff – 1977)

Impetuoso juiz (Patrick Dewaere) compra briga com homens poderosos quando descobre ligações entre gangue de criminosos e políticos.

O filme é inspirado livremente no caso real da eliminação misteriosa do juiz François Renaud, apelidado de “xerife”, em julho de 1975, homem que era conhecido por não fazer concessões no combate ao crime organizado. Os culpados nunca foram encontrados, mas é bastante óbvio que foi ação do próprio mecanismo corrupto, dos polidos, prudentes e sofisticados mafiosos de colarinho branco, calando uma voz que incomodava.

Há um sério problema de ritmo no roteiro, prejudicado por uma compreensível simplificação maniqueísta no desenvolvimento narrativo, mas é compensado pela entrega obstinada do saudoso Dewaere (indicado ao prêmio César) e, principalmente, pelo impactante desfecho, coerentemente sombrio, desesperançoso, potencializado por um epílogo sarcástico pleno em simbolismo.

A direção de Yves Boisset, que se firmou na indústria com thrillers políticos, pérolas como “O Chefão” (1970) e “O Atentado” (1972), pode se mostrar preguiçosa em cenas como a da invasão na casa da namorada do juiz, reduzindo a tensão com enquadramentos equivocados, mas surpreende em momentos cenicamente mais complicados, como o assalto no túnel, lidando bem com a escuridão do local. O saldo final é muito positivo.

A obra, infelizmente desconhecida no Brasil, jamais lançada em DVD, recebeu o prestigiado prêmio Louis-Delluc e merece ser redescoberta.

Trilha sonora composta por Philippe Sarde:

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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