“A Árvore da Maldição”, de William Friedkin, na DARKFLIX

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A Árvore da Maldição (The Guardian – 1990)

Camilla (Jenny Seagrove) parecia ser a escolha correta para o emprego de baby-sitter. Bonita e saudável, ela inspirava confiança ao casal Phil (Dwier Brown) e Kate (Carey Lowell), que deixaram seu filho recém-nascido aos seu cuidado. Só que por trás daquele rosto bonito se escondia uma sacerdotisa druida, incumbida de levar bebês ao espírito negro da floresta, representado por uma árvore enorme e sombria.

Eu lembro bem de como fiquei aguardando ansiosamente este filme passar no horário nobre televisivo em minha infância, duas horas com o rosto colado na telinha de 16 polegadas, divertido arrepio, aquela sensação que só os fãs do gênero entendem.

A obra foi muito divulgada à época nas revistas de cinema porque era o primeiro trabalho do diretor William Friedkin em terror após “O Exorcista”, uma expectativa injusta que obviamente prejudicou a recepção da crítica. Hoje, décadas depois, “A Árvore da Maldição” é visto com carinho, sobreviveu bem ao teste do tempo, um dos roteiros mais interessantes no subgênero da bruxaria.

Baixo orçamento, maior liberdade criativa, uma alegoria corajosa que supera em simbolismo a execução fraca do livro em que se baseia, “The Nanny”, de Dan Greenburg, construindo um conto de fadas mais sombrio que o normal. O segredo da trama está num detalhe que poucos percebem, logo no início, manchetes de jornais são mostradas em destaque abordando controle de natalidade, controle populacional.

O conceito de uma bruxa que conquista a confiança de pais com o intuito de retirar seus recém-nascidos, vale salientar, dentro de um prazo, fala diretamente à agenda progressista que defende a eliminação consciente até certo período de gestação. É possível argumentar que a reação negativa da imprensa à época tenha sido motivada por algo mais do que uma análise fria sobre o produto, já que o posicionamento do diretor no espinhoso tema é claro.

Cenas gore competentes, a presença hipnotizante da belíssima Jenny Seagrove, uma atmosfera perturbadora e um desfecho visualmente impactante, esta pérola merece maior reconhecimento.

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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