Crítica de “Remédio Amargo”, de Carles Torras, na NETFLIX

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Remédio Amargo (El Practicante – 2020)

Incapaz de encarar sua nova realidade em uma cadeira de rodas, Ángel (Mario Casas) desenvolve uma perigosa obsessão pela ex-namorada, Vane (Déborah François).

O roteirista/diretor espanhol Carles Torras acerta ao optar por uma curta duração, 90 minutos enxutos de pura tensão, potencializando o impacto de uma trama de suspense que, nas mãos erradas, poderia facilmente se perder no pretensiosismo tolo.

O conceito não é novo, escrito em parceria com David Desola e Hèctor Hernández Vicens, remete obviamente à pérolas como “Louca Obsessão” e “O Colecionador”, mas é executado com muita competência, favorecido pela atuação visceral de Mario Casas (uma dica, preste atenção em suas expressões faciais desde o início), presenteando o público com um desfecho poderoso e verdadeiramente inesperado, que homenageia Hitchcock, elemento que, por si só, elevou consideravelmente a qualidade do todo.

É curioso um detalhe, durante uma cena importante é dado destaque à uma mensagem jornalística no rádio, abordando em tom alarmista o início do vírus chinês. Levando em conta o currículo temático do diretor e, principalmente, que o filme toca diretamente na questão do revide, do remédio amargo, fico pensando se não foi intencionalmente uma cutucada na ferida sobre a origem nebulosa do fenômeno e, claro, no objetivo do plano. Vale destacar que, fortalecendo esta teoria, fora este sinal evidente do tempo atual, a direção de arte retrata um microcosmo atemporal, com direito à utilização de discos de vinil, algo que ajuda no desenvolvimento do suspense.

“Remédio Amargo” não é especialmente brilhante, mas é aquele arroz com feijão bem preparado, saboroso.

Cotação: 3 5 stars - Crítica de "Remédio Amargo", de Carles Torras, na NETFLIX

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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