“The Wonders – O Sonho Não Acabou”, de Tom Hanks, no TELECINE

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The Wonders – O Sonho Não Acabou (That Thing You Do! – 1996)

Uma banda (Tom Everett Scott, Johnathon Schaech, Steve Zahn e Ethan Embry) de garagem da década de 1960 se torna uma sensação do dia para a noite, com a ajuda de um empresário (Tom Hanks) experiente e de uma música chiclete, mas tensões internas envolvendo a namorada (Liv Tyler) de um dos membros ameaçam causar a queda do grupo.

Adorável lembrança da minha pré-adolescência, uma das primeiras fitas em VHS que aluguei sozinho (que responsabilidade!), no exato dia em que ela chegou na locadora, com o suado dinheirinho que acumulava a semana toda ficando sem lanchar na escola. A motivação era óbvia, vidrado na música dos anos 60, fã de Beatles, gamado na Liv Tyler, em suma, o conceito do projeto era irresistível.

A frase que o baterista Guy Patterson (Scott) escuta de seu ídolo do jazz, o ficcional Del Paxton (vivido por Bill Cobbs), é o leitmotiv da trama, “cuidado com o dinheiro”, até mesmo alguém vocacionado, apaixonado, como ele, pode ser drenado na indústria pela ambição desmedida, a fama pode ser algo ilusório, ferramenta alimentada artificialmente por um bom empresário e por veículos da imprensa bem pagos, logo, o mais importante é que todo artista se mantenha fiel à sua arte, estudioso, cuidadoso.

O vocalista (Schaech) acredita em seu talento enquanto compositor, mas enxerga a arte como muleta de autoafirmação, ele se recusa a entender que sua música só atraiu a atenção do público quando foi executada em outro ritmo, vale ressaltar, improviso que ele odiou. Guy, alguém que respira música, pegou aquela balada sem alma e transformou em algo completamente diferente. Ressentido, o vocalista conscientemente tenta sabotar uma oportunidade cinematográfica e deixa de lado sua doce namorada (Liv Tyler) ao perceber os flertes de uma arrogante cantora veterana, como que cortando os laços com sua rotina pregressa, conduzindo a banda ao ato de ingratidão maior, desonrando o contrato com o homem que pavimentou a estrada do sucesso.

Assim como sua trilha sonora, um CD que praticamente vivia no meu aparelho de som (e que ainda preservo na coleção), o filme segue encantador e eficiente, em revisão para a preparação do texto, fiquei positivamente impressionado, o carisma do elenco se mantém intacto, o roteiro redondo, simples e objetivo, conduzido com segurança por um Tom Hanks claramente apaixonado pelo material.

Música composta por Adam Schlesinger:

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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