Eu Matei Lúcio Flávio (1979)

Lúcio Flavio (Paulo Ramos) é um jovem em busca de ascensão social que opta pela vida do crime. Enquanto Mariel (Jece Valadão) ganha fama como um policial de atuação no submundo criminoso. Os dois acabam se enfrentando.

Produção da Magnus Filmes, criada por Jece Valadão, contando com a presença da belíssima Monique Lafond (que recebeu o prêmio Louis Lumière de Melhor Atriz pelo desempenho), que tive o prazer de dirigir em meu sexto curta-metragem, “Cinéfilo” (2019), esta obra merece ser redescoberta pelo público que, nas últimas décadas, foi adestrado pelo sistema à celebrar o bandido como vítima da sociedade. A dramatização da vida do câncer da sociedade só serve aos interesses espúrios de quem se identifica com o mal.

“A primeira coisa que vocês têm que aprender é que isso aqui é uma guerra. A polícia é a protetora da sociedade. O marginal não existe. O marginal não é gente!”

É até difícil entender hoje o contexto do período, mas o filme já foi uma resposta criativa ao início deste processo ideologicamente torto. Dois anos antes, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, de Babenco, inferior em todos os sentidos, havia sido sucesso popular dando atenção para a trajetória do criminoso carioca, logo, Valadão decidiu revidar artisticamente produzindo e protagonizando uma dramatização da história real do policial Mariel Mariscotte, de seu início como um salva-vidas de banhistas que ganha oportunidade de entrar para a polícia, atravessando a fase como segurança de políticos, até ser convocado por um secretário do Estado para fazer parte do temido (pelos bandidos) Esquadrão da Morte. A garotada brasileira atual não vai entender, mas houve uma época neste país em que os criminosos é que morriam de medo de sair às ruas.

A estrutura do roteiro de Leopoldo Serran e Alberto Magno é de convencional thriller policial, sem firulas técnicas, tampouco se preocupa em explicar os bastidores dos acontecimentos (na época, todos sabiam pela imprensa, mas o público moderno talvez sinta dificuldade), mas conta com sequências inesquecíveis de tremendo impacto, destaco duas, a tortura com choques elétricos ao som de “Lady Laura”, de Roberto Carlos, e aquela em que Mariel se apodera de um carro do IML e resgata o corpo sem vida da mulher amada, Margarida (Lafond), que carrega nos braços friamente, decepcionado por não ter conseguido cumprir a promessa feita ao falecido pai da moça, salvá-la das correntes do vício em psicotrópicos. A única redenção possível é evitar que ela seja enterrada como indigente, velando-a dignamente ao som de “As Rosas Não Falam”, de Cartola, na voz de Fagner.

Se você vive o caos urbano de total impunidade, tempo sombrio em que o criminoso mais desalmado é protegido e o policial que salvou uma família é processado por “uso de força excessiva”, fica difícil não aplaudir a catarse emocional que a obra provoca várias vezes, simplesmente por mostrar que o crime não compensa. Uma pérola OBRIGATÓRIA.

* Você encontra o filme completo no Youtube.

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