Destruição Final – O Último Refúgio (Greenland – 2020)

Uma família luta pela sobrevivência quando um cometa destruidor de planetas chega à Terra. John Garrity (Gerard Butler), a sua ex-mulher Allison (Morena Baccarin), e o seu jovem filho, Nathan, fazem uma perigosa viagem até à sua derradeira esperança de salvação.

A indústria cinematográfica prima hoje em dia pelo hype financiado artificial, projetos que são cases de marketing, divulgados sem sutileza alguma por sites de cinema, youtubers e veículos impressos, que rasgam elogios e passam a impressão de que o mundo aguarda ansioso pela obra, quando, na realidade, nada mais é que troca de favores, mas a estratégia funciona bem, principalmente com o público adolescente.

O problema é que se o filme não é bom (e, por experiência garanto que, quanto mais se paga para divulgar, menos confiança há no sucesso do produto, péssimo sinal), fica feio para todos os envolvidos, somente a verdade granjeia respeito. Por outro lado, há casos de projetos que passam despercebidos inicialmente, mas que, com o boca a boca orgânico dos espectadores, acabam conquistando o justo espaço. Este é um ótimo exemplo, surpreende todos aqueles que acreditam se tratar de mais um genérico filme-catástrofe.

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O que me fez perceber que havia algo especial nesta incursão no subgênero foi o nome de Chris Sparling no roteiro, responsável pelo excelente e claustrofóbico “Enterrado Vivo” (2010), de Rodrigo Cortés. É mérito dele um dos pontos mais brilhantes, a forma como ele, com espertas escolhas narrativas, faz todos os personagens periféricos se mostrarem comportamentalmente complexos em momentos desesperadores, você consegue sentir piedade até por aqueles que agem de forma cruelmente egoísta, a ameaça é crível, as motivações são humanamente compreensíveis. Parece pouco, mas em um subgênero conhecido por favorecer o espetáculo, reduzindo o elenco à caricaturas previsíveis, este detalhe engrandece a experiência.

A direção é de Ric Roman Waugh, muito competente na seara da ação (ex-dublê), assinou pérolas como “Felon” (2008), “Sem Perdão” (2017) e “Invasão ao Serviço Secreto” (2019). O resultado é incrivelmente frenético, tenso, uma aula de como manter o público roendo as unhas, algo possível graças ao investimento emocional, imersão imediata não apenas na situação facilmente identificável, mas também nos conflitos internos do casal que atravessa um angustiante processo de divórcio, enquanto tenta amenizar o impacto da separação na rotina do filho doente. A química entre Baccarin e Butler é palpável, elemento que reforça ainda mais a intensidade dramática dos eventos que ocorrem no segundo ato.

“Destruição Final – O Último Refúgio” é um FILMAÇO que acerta no senso genuinamente perturbador de medo que injeta até mesmo nas sequências mais tranquilas.

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