The Tenth Level (1976)

Inspirado pelo “Experimento de Milgram”, pesquisa sobre obediência de Stanley Milgram, este telefilme narra o estudo de um professor de psicologia (William Shatner) para determinar o motivo que leva pessoas, tais como os nazistas, a “apenas seguir as ordens” e fazer coisas horríveis.

Se você, como eu, enxerga com muita preocupação o comportamento de manada da população mundial hoje, prejudicando trabalhadores e levando muitos ao suicídio pelo desespero, alicerçado pelo medo sem base lógica, científica ou coerente, provavelmente estudou em algum momento da vida sobre o experimento de Milgram, o experimento prisional de Stanford (professor Philip Zimbardo) e o experimento da Terceira Onda (professor Ron Jones). Eu sempre fui muito curioso, ávido leitor, tive contato com estes e outros estudos no tema durante a adolescência. Caso nunca tenha ouvido falar, recomendo fortemente que busque na internet, talvez ajude a compreender os bastidores do experimento massivo de engenharia social que paralisou as economias do mundo. Resumindo, estes casos respondem a clássica questão proposta pela filósofa Hannah Arendt sobre o extermínio dos judeus: “Como é que pessoas tão vulgares foram capazes de cometer atos tão horrendos?”

Simples, a massa prefere passar a responsabilidade adiante, obedecer figuras de autoridade, ainda que as ordens sejam completamente ilógicas e até danosas, deseja ser encoleirada, exatamente porque esta atitude exime os indivíduos fracos da terrível culpa por tudo que aconteça, logo, sentem-se confortáveis praticando o mal. A História sempre se repete, principalmente quando o sistema estimula conscientemente o esquecimento do passado. Filmes e documentários foram feitos sobre estes experimentos, mas você não irá encontrar na programação de qualquer emissora, a rede de intrigas está interessada em te manter dormindo, alienado, entretido com bobagens, o lucro deles depende da ignorância do coletivo anestesiado.

O telefilme “The Tenth Level” (O Décimo Nível), produzido por Tony Masucci, roteirizado por George Bellak e dirigido por Charles S. Dubin, foi polêmico já na estreia, os executivos da rede CBS (você consegue imaginar a razão?) lutaram contra a produção, adiada várias vezes, também teve problemas financeiros, porque os patrocinadores usuais declinaram, não queriam os comerciais nos intervalos. A obra foi jogada para baixo do tapete, destruída pelos críticos da época, esquecida nas prateleiras empoeiradas do tempo, nunca foi lançada em mídia física, praticamente só existe hoje porque colecionadores dedicados disponibilizaram o material na internet. O resultado é arrepiante, previu com exatidão o comportamento da imprensa nos dias atuais. E provavelmente eu sou o único crítico de cinema brasileiro que decidiu escrever sobre ele.

Analisando friamente, há vários problemas estruturais compreensíveis, clichês narrativos de todos os telefilmes norte-americanos do período, além do perceptível valor de produção baixo, mas a coragem da trama e a intensidade na entrega de William Shatner compensam qualquer deslize. O acerto já começa na ideia de introduzir o conceito utilizando cenas de arquivo reais do regime nazista, com a narração de Shatner enfatizando o malefício de se obedecer regras ilógicas, contrariando inclusive objeções morais. Segundos depois, descobrimos que estamos testemunhando uma aula do professor Milgram, “qual é o mecanismo psicológico desta obediência?”, ele pergunta para uma classe que não parece muito interessada. O problema é exatamente este, o gatilho que permite a repetição cíclica do mal em cada geração, o profundo desinteresse da massa no constante autoaprimoramento intelectual/cultural.

O experimento envolve um “professor” e um “aluno”, um ativará choques elétricos no outro, que vão aumentando de intensidade sempre que uma pergunta é respondida incorretamente. Alguns desistem, outros cedem sob pressão, mas muitos permitem que os choques atinjam o perigoso décimo nível. O terceiro ato ganha ares mais filosóficos por focar no tribunal acadêmico em que este experimento é julgado como um exercício de pura crueldade, com voluntários discursando sobre seus traumas psicológicos. A reviravolta final pode ter desagradado o próprio Milgram (que colaborou com a produção), já que mostra o protagonista dando sinais de arrependimento, mas é coerente com a mensagem principal, ninguém sai ileso do experimento.

  • Você consegue encontrar facilmente o filme garimpando na internet.

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Viva você também este sonho...

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