A Vingança do Dragão (Xiao Quan Guai Zhao – 1979)

A trama não traz surpresas, um jovem do interior treina com seu avô (James Tien), um grande mestre, o segredo do tradicional Kung-Fu. Contra a vontade do mestre ele passa a lutar por dinheiro, para ajudar em casa. Até que um velho inimigo (Yam Sai-kwoon), líder de uma facção criminosa, mata o avô e faz crescer no jovem o desejo de vingança, em suma, a mesma história de quase todos os filmes do gênero. A beleza da obra não reside neste ponto.

Em seu primeiro trabalho como diretor, com total controle criativo, Jackie Chan demonstra a razão que o fez se destacar, dentre tantos imitadores de Bruce Lee que a indústria asiática produziu no período, como o único elemento puramente original. As suas influências estão presentes, Buster Keaton e Os Três Patetas, o produtor Lo Wei sabiamente deu carta branca para que o jovem testasse todas as possibilidades, inclusive correndo riscos. Jackie exibe várias facetas de sua arte, timing cômico preciso, pastelão infantil, coreografias plasticamente bonitas, ou puramente agressivas, sobrando espaço para sequências hilárias como aquela em que ele se disfarça de mulher para enfrentar seu adversário, ou quando disputa com seu mestre a posse de um simples pedaço de carne em seu hashi.

O combate final é fantástico, com Jackie utilizando o “Kung-Fu emocional”, criado por ele, que utiliza variações como alegria, dor, tristeza e euforia, para confundir o inimigo e impedir que seus golpes sejam previsíveis. Apesar de ser mais lembrado por “The Drunken Master”, ou “Snake in The Eagle’s Shadow”, ambos de 1978, eu considero que “The Fearless Hyena” (A Vingança do Dragão) é o seu melhor momento da fase inicial de carreira, quando estava no auge da forma física e com sangue nos olhos para firmar seu nome no panteão das artes marciais.

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Viva você também este sonho...

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