Crítica de “Godzilla vs. Kong”, de Adam Wingard

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Godzilla vs. Kong (2021)

Kong e seus protetores embarcam em uma jornada perigosa para encontrar seu verdadeiro lar. Com eles está Jia (Kaylee Hottle), uma jovem órfã que tem uma ligação única e forte com Kong. Mas eles não sabiam que estavam no caminho de um Godzilla enfurecido, que está deixando um rastro de destruição pelo planeta.

O projeto é mais um exemplo crasso do poder do marketing na indústria, vi até youtubers cinéfilos gravando vídeos emocionados após a sessão, o hype artificial e financiado pode atrair a atenção, mas não granjeia respeito.

Você pode defender que era algo previsível pelo tema, aquele argumento terrível do “desligar o cérebro”, mas te garanto que o material já foi trabalhado de forma competente ao longo das décadas, respeitando a inteligência do público, nem me refiro aos clássicos imortais, “Godzilla” (1954) e “King Kong” (1933), pérolas indiscutíveis, mas sim, ótimas incursões posteriores como “Godzilla Contra a Ilha Sagrada” (1964), “Godzilla vs. King Ghidorah” (1991), “Shin Godzilla” (2016), até mesmo os recentes “King Kong” (2005) e “Godzilla” (2014).

O conceito, nas mãos certas, pode encantar os olhos de adultos e crianças e tocar o coração. Infelizmente, o esforço do diretor Adam Wingard, do horroroso “Death Note” (2017), e dos roteiristas Eric Pearson e Max Borenstein, nem se aproxima dos momentos menos inspirados dos monstros lendários na telona, até a versão original do confronto, dirigida por Ishirô Honda em 1962, com humor voluntário e involuntário, trazia mais sabor à mesa.

O espetáculo visual é inegável, faz valer o ingresso, a brincadeira com a inversão da gravidade no núcleo do planeta é tão fascinante, que até esquecemos que o roteiro desrespeita em alguns momentos sua própria pseudociência.

O que não dá para relevar é o desenvolvimento pífio do aventureiro grupo adolescente, toda vez que a obra nos joga na direção do trio formado por Millie Bobby Brown, Julian Dennison e Brian Tyree Henry, você sente vontade de atirar uma pedra na tela, não há nada aproveitável, as cenas são entediantes, os diálogos são constrangedores. Os adultos também decepcionam, agem como adolescentes bobinhos, mas é um processo de infantilização que a indústria já abraçou faz tempo, não surpreende.

Resumindo, “Godzilla vs. Kong” vale apenas pelas sequências de ação com computação gráfica, o núcleo humano é fraquíssimo, a trama é irritantemente tola e o cafona design de produção, com apreço exagerado pelo néon, já nasceu datado.

Cotação: STAR 2.5 - Crítica de "Godzilla vs. Kong", de Adam Wingard

* O filme estreia hoje em algumas salas de cinema, não há previsão para lançamento em plataformas digitais.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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