Crepúsculo em Tóquio (Tôkyô Boshoku – 1957)

No auge do inverno, Takako (Setsuko Hara) volta à casa do pai (Chishu Ryu), fugindo do marido agressivo. Por sua vez, sua irmã Akiko (Ineko Arima) vive uma gravidez indesejada e procura, em vão, pelo namorado.

O grande Yasujiro Ozu costumava afirmar que um filme que primasse pelo drama excessivo não dava certo, há um limite emocional que deve ser respeitado, arrisca-se até quebrar o investimento do espectador na trama, mas, claramente, ele desrespeitou este conceito em “Crepúsculo em Tóquio”, que abusa de todo tipo de desgraça humana, os personagens sofrem e sangram seus corações para a apreciação do público, o tom é amargo, elegíaco, dolorido. O recorte temporal, enfatizado no título, ajuda neste sentido, potencializando na fotografia sombria os sentimentos explorados no roteiro.

O próprio diretor não se mostrou inicialmente interessado na história, o fraco resultado nas bilheterias japonesas à época foi sintomático deste incômodo, os críticos também odiaram, mas, por algum fascinante mistério artístico, a obra foi conquistando aplausos no decorrer das décadas. E, em revisão para este texto, pude constatar que está longe de ser ruim, merece constar ao lado de suas pérolas mais celebradas, como “Era Uma Vez em Tóquio” e “Pai e Filha”, contando com uma brilhante atuação da musa de Ozu, a bela Setsuko Hara.

A primeira hora prepara lentamente o terreno para a desconstrução, pode soar arrastada para o público geral, mas os fãs do estilo do diretor captam a intenção por trás de momentos aparentemente descartáveis, sendo plenamente recompensados no terceiro ato, quando Ozu joga luz sobre as consequências de decisões difíceis ao longo da vida, levando o público a refletir sobre a importância dos laços familiares, algo que, nos terríveis dias atuais de valores invertidos, pode ser criticado como “moralista” demais.

* Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando facilmente na internet.

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Viva você também este sonho...

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