A Vontade de Um General (Uomini Contro – 1970)

Cansados das insanidades cometidas por seu General, soldados italianos decidem iniciar um motim, em meio ao ataque dos Austríacos. O problema ainda aumenta quando decidem iniciar um tribunal de guerra, para julgar os envolvidos e acusados de covardia.

Francesco Rosi quase nunca é citado em listas de grandes diretores, mas seu conjunto de obra é espetacular, tendo influenciado nomes como Oliver Stone, Costa-Gavras e Gillo Pontecorvo, além de ser citado com muita admiração por Francis Ford Coppola e Martin Scorsese. Escolhendo adaptar o livro “Un anno sull’altipiano”, de Emilio Lussu, o diretor une o contundente discurso do autor, denunciando a insanidade da guerra, com uma análise pessoal sobre as relações de poder em grupos masculinos, corajosamente afrontando a clareza política e questionando o intervencionismo.

Tudo lindamente emoldurado pela fotografia de Pasqualino De Santis (que faria no ano seguinte “Morte em Veneza”, de Visconti), criando momentos inesquecíveis como a marcha dos soldados pela fumaça das bombas e, especialmente, a noite azulada iluminada pelas explosões na guerra de trincheiras. A trama aborda o desespero de soldados desmoralizados, guiados por um general (vivido por Alain Cuny) disposto a sacrificar seus homens até mesmo em situações desnecessárias, por simples capricho egocêntrico.

O motim é questão de tempo, quando os pregos que mantém funcionando a engrenagem monstruosa e estúpida da guerra, acabam tendo a consciência de que a finitude é uma condição mais digna do que aquela realidade sub-humana de existência.

  • Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando na internet.


Viva você também este sonho...

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