Pauline na Praia (Pauline à La Plage – 1983)

A praia é o microcosmo de Pauline (Amanda Langlet), uma menina de 15 anos que inicia a obra como espectadora, como uma de nós. Com o auxílio do sistema narrativo do diretor, pontos de vista trabalhados pelos contornos geométricos que enfatizam os personagens pela sua movimentação em cada quadro, somos voyeurs com permissão de explorar os ambientes.

Sorrimos ao testemunhar o escapismo inerente aos seus primeiros flertes românticos. A sua prima mais velha, uma mulher de rara beleza (um personagem chega a compará-la a uma escultura), determinada a vivenciar paixões intensas com total liberdade. A menina aparenta imaturidade ao lado dos adultos. Mas a ilusão termina ao percebermos que ela possui uma visão muito mais realista dos relacionamentos amorosos, até mesmo cínica.

Em pouco tempo, começamos a identificar a prima mais velha como a de mentalidade adolescente fútil, enquanto nos surpreendemos com a segurança e a personalidade forte da menina. Esse contraste, habilmente trabalhado por Rohmer, vai de encontro ao leitmotiv da trama: quem muito fala, prejudica a si mesmo.

O roteiro estabelece um cenário formado por mentirosos (não irei revelar a trama em respeito aos que não viram ainda). Uma farsa envolve todos os personagens, ferindo aqueles mais puros. E Pauline, mesmo sendo a vítima maior da insensibilidade com seus sentimentos, termina por se mostrar madura emocionalmente o suficiente para entender o valor do silêncio, do “deixar para lá”.

Por mais que todos tentem ensiná-la sobre a vida e sobre o amor, ela é quem acaba dando uma aula para os ingênuos, irresponsáveis e inseguros adultos.

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Viva você também este sonho...

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