Rocky 4 – Rocky vs. Drago (1985)

Depois de recuperar o título de campeão de boxe, Rocky Balboa planeja se aposentar e viver com sua esposa, Adrian. No entanto, durante uma exibição, o amigo de Rocky, Apollo Creed, é impiedosamente espancado até a morte pelo desmedido russo recém-chegado Ivan Drago. Assim, Rocky decide ir até a União Soviética para enfrentá-lo e vingar o amigo em uma luta no dia de Natal.

A franquia “Rocky” foi fundamental em minha formação como cinéfilo, amo todos os filmes, e, como crítico, sempre reconheci o ponto mais problemático na jornada. E, não, “Rocky 5”, apesar de imperfeito, ainda carrega o peso dramático dos dois primeiros filmes, considero eficiente em sua proposta e emocionante, o projeto que me incomodava era o quarto, claramente debruçado na estética imediatista dos anos 80, a era da ascensão da MTV, uma sequência de montagens impecáveis, mas, ainda assim, material distante das pretensões artísticas dos anteriores, uma espécie de patinho feio, que, apesar de empolgante, carecia do elemento humano, do coração pulsante que eternizou o original.

Quando Stallone avisou em suas redes sociais que estava preparando um corte definitivo deste projeto, parecia um sonho nerd que se realizava, eu sabia que ele entendia a necessidade deste resgate. E, vale destacar, precioso timing para o lançamento, já que vivemos novamente uma espécie de guerra fria, com a China tentando destruir os valores do Ocidente, impondo sua ditadura, seu crédito social, na forma do grotesco “passaporte sanitário”, objetivo da farsa teatralizada e desumana que paralisou as economias mundiais.

O corte definitivo é um produto que encaixa perfeitamente na franquia, o objetivo foi alcançado, rever agora a franquia, incluindo “Creed” e “Creed 2”, proporciona ao fã uma experiência intensamente recompensadora, que repõe trechos da trilha sonora clássica de Bill Conti, sem depreciar o esforço de Vince DiCola, retira completamente aquela bobagem de merchandising envolvendo o robô de Paulie, inserindo mais interação entre personagens importantes na mitologia do personagem, curtas trocas de olhares entre Adrian e Paulie que fazem muita diferença, mudanças significativas na cena do funeral de Apollo, inserindo palavras fortes de seu treinador sobre o código do guerreiro, modificando totalmente o take do discurso de Rocky, agora, mais coerente com sua personalidade estabelecida nos anteriores, puro coração, algo que agrega demais ao simbolismo do momento.

Pequenos detalhes, como deixar em preto e banco as cenas em flashback na montagem de “No Easy Way Out”, ou a breve inserção de uma narração em off na luta, representando sua voz interior, brilhantes decisões que rimam visualmente com as escolhas de Stallone no sexto filme, injetam senso de unidade à saga.

A luta em si foi tremendamente aprimorada neste corte, não apenas o som dos golpes, mais brutais, realistas, mas também a edição, o nocaute desta vez é impressionante, assim como a reação de Rocky ao vencer, mais humana. Bobagens engraçadas foram alteradas, como o aplauso dos líderes comunistas na vitória do norte-americano, algo que servia apenas como alívio cômico nonsense, agora se torna um momento simbolicamente mais forte, com relevante peso dramático.

Esta nova versão é outro filme, não dá nem para comparar, o tom é totalmente diferente, um sonho realizado para fãs, “Rocky vs. Drago” é superior ao corte original em todos os sentidos.

* Você encontra o filme garimpando na internet.

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Viva você também este sonho...

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