No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

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A Balada de Narayama (Narayama Bushikô – 1983)

Em uma pobre vila rural japonesa do século 19, todos que chegam aos 70 anos precisam escalar uma montanha próxima para morrer. Uma senhora (Sumiko Sakamoto) está chegando perto da idade limite, e acompanhamos seus últimos dias com sua família.

Eu gosto muito das duas versões desta história, adaptações do romance de Shichirō Fukazawa, a original, dirigida por Keisuke Kinoshita, lançada em 1958, pode ser superior em alguns aspectos, mais curta e objetiva, mas creio que a competente refilmagem comandada por Shohei Imamura seja ideal para aquele espectador que não esteja acostumado ao ritmo contemplativo do clássico cinema japonês.

A abordagem crua do diretor também ajuda a estabelecer cedo uma atmosfera imersiva, compondo uma realidade brutal para os moradores do vilarejo. As tradições repulsivas evidenciam que a experiência da vida para aquelas pessoas é um martírio, o conceito de se atirar idosos do alto de uma montanha quando completam 70 anos de idade é grotesco, o roteiro instiga uma importante reflexão sobre como uma sociedade doente trata a natural velhice como algo a ser repudiado, indesejado.

As respostas que entrega sobre a natureza humana são espinhosas, verdadeiramente perturbadoras.

  • Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando na internet.


Viva você também este sonho...

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