No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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Pato com Laranja (L’anatra all’arancia – 1975)
Livio (Ugo Tognazzi) e Lisa Stefani (Monica Vitti) são um casal em crise, depois de dez anos de vida conjugal, recheados de aventuras extramatrimoniais. Mas Lisa apaixona-se pelo francês Jean-Claude (John Richardson) e quer ir viver na França. Livio fica cheio de ciúmes mas, em vez de reagir violentamente, adota uma atitude mais calma: convida a mulher para passar um fim de semana na casa junto ao mar, convidando Jean-Claude, de quem pretende tornar-se amigo. Lisa não pode negar o convite, mas Livio aproveita para levar a sua desinibida secretária, Patty (Barbara Bouchet).
O saudoso diretor italiano Luciano Salce trabalhou com Adolfo Celi no Brasil, na época áurea do estúdio Vera Cruz, ele é o responsável por um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, “Floradas na Serra” (1954), com Cacilda Becker.
“Pato com Laranja”, que adapta a peça teatral britânica “The Secretary Bird”, de William Douglas-Home, retrabalhada pelo francês Marc-Gilbert Sauvajon, com o característico toque apimentado no roteiro de Bernardino Zapponi, talvez seja o seu projeto mais despretensioso e, por este mesmo motivo, aquele que sobreviveu melhor ao árduo teste do tempo.
Eu me recordo da capa do VHS em meus passeios na infância pela locadora de vídeo (o título curioso me chamava a atenção), mas só tive contato com a obra na adolescência, hoje tenho ela orgulhosamente gravada em DVD na coleção.
Ao rever para este texto, aplaudi novamente o talento do grande Ugo Tognazzi, um ator infelizmente esquecido pelos cinéfilos modernos, ele conseguia defender as situações mais absurdas com a maior naturalidade, nenhum diálogo, por mais tolo que fosse, soava questionável, ele legitimava qualquer disparate. Monica Vitti já não se deu tão bem, o elemento mais fraco na equação, fica refém da caricatura cômica quando se aventura fora da zona de conforto dramática. E a beleza estonteante de Barbara Bouchet? A câmera se apaixona por ela, com toda razão…
O conceito da trama é irresistível, prende a atenção desde o início, quando você entende o plano engenhoso do marido. Uma comédia que definitivamente merece ser redescoberta.
Trilha sonora composta por Armando Trovajoli:
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