No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

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Mamá Dolores (1971)

O filme narra a história de uma mulher negra que assume a criação do filho de sua patroa após o falecimento desta, enfrentando conflitos com o pai biológico da criança.

A querida leitora Ana Cristina Andrade relembrou esta pérola em uma postagem na página sobre a primeira memória na sala escura, enxerguei a oportunidade de tentar novamente abordar este período de ouro do cinema mexicano. Estes textos costumam gerar pouco interesse, quase nenhum clique, mas considero importante estimular o garimpo cultural.

CLIQUE AQUI PARA LER MEU TEXTO, POSTADO EM 2020, SOBRE OUTRA PÉROLA DO DIRETOR TITO DAVISON, “A COLINA DO AMOR ETERNO” (1972).

devotudoaocinema.com.br - Dica do DTC - "Mamá Dolores", de Tito Davison
Triste registro da demolição do Cinema Azteca, que ficava na Rua do Catete, RJ. (1973)

O Cinema Azteca funcionou de 12 de outubro de 1951 a 12 de maio de 1973, localizado na Rua do Catete (RJ), chamava atenção por sua arquitetura única inspirada em templos pré-colombianos, comportava quase dois mil assentos e foi erguido pelo grupo mexicano Distribuidora Pelmex. Ele foi construído para servir de ponte entre o público brasileiro e os hermanos que, incentivados financeiramente pelo alinhamento do México com os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, emulavam competentemente o star system hollywoodiano.

A quantidade de produções de qualidade era grande, as histórias quase sempre melodramáticas tocaram imediatamente o coração do brasileiro. Se nomes como Dolores del Río, Pedro Armendáriz, María Félix, Cantinflas, Ninón Sevilla, Arturo de Córdova, Libertad Lamarque e Maria Antonieta Pons, estampassem os cartazes, representavam automaticamente salas lotadas.

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O resgate da memória dos antigos cinemas de rua é um tema muito caro para mim, dediquei a ele o meu sexto filho cinematográfico, o curta CINÉFILO (2019), e tive a oportunidade de entrevistar a neta do lendário pioneiro Luiz Severiano Ribeiro, abordando seu legado.

CLIQUE AQUI PARA LER MINHA ENTREVISTA SOBRE O LEGADO DE LUIZ SEVERIANO RIBEIRO.

CLIQUE AQUI PARA LER MEU TEXTO SOBRE O FILME QUE INAUGUROU O LENDÁRIO CINE RICHE, DE LUIZ SEVERIANO RIBEIRO, EM 23 DE DEZEMBRO DE 1915.

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Mamá Dolores“, do diretor chileno Tito Davison, foi uma destas obras, baseada no sucesso radiofônico do autor cubano Felix Caignet. Ela é a releitura/continuação mais popular da refilmagem do sucesso lançado em 1952, “El Derecho de Nacer“, dirigido por Zacarías Gómez Urquiza. A atriz cubana Lupe Suárez interpretou a personagem no original.

Uma curiosidade: Isaura Bruno, que interpretou a personagem na telenovela brasileira “O Direito de Nascer”, exibida na TV Tupi (SP) e na TV Rio (RJ), ganhava a vida como empregada doméstica e, por indicação de Walter Forster, estreou como atriz. Ela era a primeira opção de Tito Davison para repetir o papel na refilmagem desta versão cinematográfica, mas o telegrama enviado por ele acabou se perdendo na seção de correspondência da TV Rio.

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A atriz brasileira ISAURA BRUNO era a primeira opção para interpretar o papel no filme.

O diretor, acreditando que o silêncio na resposta representava uma negativa, convidou então a atriz cubana Eusebia Cosme para repetir o papel que viveu no mediano “O Direito de Nascer”, que o próprio Davison havia dirigido em 1966. Ela já havia vivido Dolores com sucesso nos palcos.

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A atriz cubana EUSEBIA COSME em “Mamá Dolores”.

O resultado é superior, já que o tímido esforço anterior falhava em alcançar a essência emotiva do clássico de Urquiza. Eusebia, graças ao roteiro, assinado por Edmundo Báez, pode se debruçar sem medo no aspecto folhetinesco, mas com elegância suficiente para não tornar as cenas piegas em excesso.

Uma pérola do cinema mexicano que merece ser redescoberta.

  • Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.


Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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