No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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O Grande Momento (1958)
Zeca (Gianfrancesco Guarnieri) se vê com pouco dinheiro às vésperas de seu casamento. Longe de querer adiar ou mesmo contar o que está se passando à futura esposa (Myriam Pérsia), ele fará de tudo para honrar o grande evento.
Altamente influenciado pela estética e pela temática do neorrealismo italiano (principalmente por “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio De Sica), o diretor Roberto Santos criou esta pérola pouco lembrada, protagonizada por um jovem Gianfrancesco Guarnieri e produzida por Nelson Pereira dos Santos.
O protagonista vive uma existência miserável, sem dinheiro para nada. Nos filmes que a obra indiretamente homenageia, o cenário era o pós-guerra, uma terra em literais escombros, mas em “O Grande Momento”, o elemento de desgraça é ter nascido no Brasil. Pobre Zeca, não aguentaria nem dez minutos da realidade do país nos doentios dias de hoje.
O diretor teve outros momentos bons na carreira, indico especialmente “Os Amantes da Chuva” (1979), mas nenhum entregou o mesmo nível de refinamento que este primeiro trabalho, uma louvável disciplina técnica reminiscente da era de ouro dos estúdios Vera Cruz (que havia falido em 1954) e que se perderia nos anos seguintes com as bobagens lisérgicas da garotada mimada do Cinema Novo.
- Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.