O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights – 1939)
Barreiras sociais impedem que Cathy (Merle Oberon) se relacione com o cavalariço Heathcliff (Laurence Olivier). O rapaz some quando Cathy se casa com Edgar (David Niven), um homem de posses, e retorna dez anos depois como um homem rico. Entretanto, pode ser tarde demais para ele e Cathy.
A nova adaptação, dirigida pela britânica Emerald Fennell, com Margot Robbie e Jacob Elordi, representa de forma inequívoca o estado atual intensamente doentio da sociedade, um esforço revoltante, verdadeiramente insultuoso, para qualquer indivíduo que decida pagar o ingresso, mas, principalmente, para quem respeita o livro original de Emily Brontë.
Como eu sempre reforço, não permita que o sistema adoeça a sua alma, volte seus olhos cansados para o passado, valorize a sua sanidade, há adaptações competentes da obra, mas nenhuma com o elevado padrão de qualidade da versão de 1939, com a fotografia do grande Gregg Toland e a direção do mestre William Wyler, protagonizada por Laurence Olivier, Merle Oberon e David Niven.

O roteiro de Charles MacArthur e Ben Hecht (com o auxílio de John Huston, dois anos antes de ser apresentado ao mundo com “O Falcão Maltês”) inteligentemente decide focar na primeira metade da história, eliminando os efeitos do ódio na geração posterior, uma opção que beneficia o tom onírico (evidenciado na linda cena final, inexistente em letra e espírito no livro) e o latente senso de urgência que dominam a experiência.
O peso dramático já é considerável neste recorte temporal, você sente no olhar dos personagens a gradativa queda no abismo da autopiedade, o labirinto do ressentimento destrutivo, elementos que são captados e potencializados na melancólica trilha sonora composta por Alfred Newman, um dos melhores trabalhos de sua carreira.
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O meu primeiro contato com o filme foi na pré-adolescência, aluguei em VHS para fazer uma cópia, cortei fotos de revistas de cinema para preparar a capa, anos depois revi em uma sessão do extinto Cine Vida, programa da Rede Vida de Televisão apresentado pelos saudosos Brancato Júnior e José Tavares de Barros.
Eu me recordo da emoção que senti, de como fiquei envolvido do início ao fim, e, mais importante, de como fiquei surpreso anos depois ao finalmente ler o livro, fruto dos garimpos pelos sebos, e constatar que era ainda mais sombrio e deprimente, algo que me fez valorizar ainda mais as escolhas criativas de Wyler.
“O Morro dos Ventos Uivantes” é um clássico da era de ouro de Hollywood, lançado no mágico ano de 1939, um tesouro que segue eficiente, mais relevante do que nunca…
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Trilha sonora composta por Alfred Newman:

