Crítica nostálgica da clássica série “O Cavaleiro Solitário” (1949-1957)

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O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger – 1949-1957)

O “Cavaleiro Solitário” foi criado para um programa de rádio, em 1936, pela dupla George W. Trendle e Fran Striker, os mesmos de “Besouro Verde”. O herói, único sobrevivente de um ataque traiçoeiro contra sua equipe de Texas Rangers, logo viria a ser acompanhado pelo índio Tonto. Dentre as inspirações dos autores, “Robin Hood” e “Zorro”, a segunda acabaria se tornando no Brasil alvo de confusão. Ao ser lançado em quadrinhos por aqui, o oportunismo comercial falou mais alto, os editores da Ebal aproveitaram a popularidade da raposa de capa e espada e renomearam o pistoleiro honrado e mascarado do Velho Oeste como “Zorro”.

materia cavaleirosolitario img02 - Crítica nostálgica da clássica série "O Cavaleiro Solitário" (1949-1957)Clayton Moore, que vive o protagonista, transmite a força interna de quem decidiu fazer sempre a coisa certa pelos motivos certos, a voz serena e firme, os movimentos captados pela câmera reforçando sua força como símbolo mítico. Tonto é vivido por Jay Silverheels, um índio puro Mohawk, elemento que dava ainda mais credibilidade à sua atuação. Em ótimos episódios como “Legion of Old Timers”, com a participação de DeForest Kelley, eterno “Magro” da série clássica de “Jornada nas Estrelas”, ou no vibrante “War Horse”, a química entre os dois é a força-motriz. No primeiro, principalmente, já que há um tom cômico inserido na relação que se estabelece entre os dois e o grupo de trabalhadores envelhecidos.

São vários os episódios marcantes, quase todos dirigidos por George B. Seitz Jr. nos primeiros dois anos de exibição, títulos como “The Tenderfeet”, “Return of the Convict”, “The Masked Rider” e “Greed for Gold”, entregam ação, camaradagem e mensagens bonitas na mesma medida, sem as repetições diluídas que viriam a ser comuns na fase posterior. Foram produzidos dois filmes para cinema, “The Lone Ranger” (1956) e “The Lone Ranger and the Lost City of Gold” (1958), incrivelmente datados (mais que a série), que valem como curiosidade. A abertura da série é inesquecível, com a música extraída da ópera “William Tell Overture” de Rossini, adaptada e conduzida por Daniel Pérez Castaneda. Uma sugestão, evite a qualquer custo a péssima adaptação recente para cinema, produzida pela Disney, com Johnny Depp (Tonto) e Armie Hammer (Cavaleiro Solitário), dirigida por Gore Verbinski.

A série resistiu muito bem ao teste do tempo, apesar de ser protagonizada por um símbolo de tempos menos cínicos, mais puros. O aspecto mais bonito, a recusa do herói em matar seus adversários, atirando sempre para desarmar, hoje pode ser tido como ingênuo. Os valores estão invertidos, talvez seja a hora de “Cavaleiro Solitário” voltar a cruzar as pradarias televisivas com seu cavalo Silver, ensinando para as crianças que a violência é sempre a última opção para resolver qualquer conflito.

Cotação: 4 stars - Crítica nostálgica da clássica série "O Cavaleiro Solitário" (1949-1957)

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Octavio Caruso
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