Crítica nostálgica da série “O Incrível Hulk” (1977-1982)

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O Incrível Hulk (The Incredible Hulk – 1977 a 1982)

O Dr. David Banner (Bill Bixby) é um brilhante cientista. Certo dia, um experimento em que ele está trabalhando sai terrivelmente errado, e o deixa com sérias consequências: sempre que ele está sob muito estresse, seu corpo se modifica e ele se transforma no Hulk (Lou Ferrigno), um monstro alto, musculoso e de pele verde.

O meu primeiro contato com a série, ainda na infância, foi durante a sua exibição no programa “Show Maravilha”, do SBT. Só quem viveu a época sabe que, devido à escassez de material relativo à quadrinhos em outras mídias, até mesmo a esporádica aparição dos Trapalhões vestidos de Liga da Justiça aquecia os corações.

Na televisão, até então, nada havia sido mais respeitoso com a obra original que “O Incrível Hulk”. Se o “Batman” de Adam West, que eu também amava, transformava Gotham em um colorido parque de diversões, a pegada do gigante esmeralda era a melancolia, simbolizada na sequência final de todo episódio, ao som de “Lonely Man”, mostrando o herói taciturno, vivido pelo grande Bill Bixby, forçado a fugir mais uma vez. A visão do brutamontes, vivido pelo fisiculturista Lou Ferrigno, que toda criança aguardava ansiosa, representava tudo que o homem comum menos desejava, incapaz de estabelecer laços afetivos, incapaz de ser humano, trocando de identidade a cada semana.

Claro que a censura e as perceptíveis limitações de orçamento impossibilitariam o nível de destruição e agressividade que dominavam as páginas dos gibis, logo, os produtores optaram pela romantização do personagem, o monstro quebra paredes, esmaga revólveres e lança para longe seus adversários, mas, de vez em quando, ele se mostra vulnerável, capaz até de ter empatia. Outro ponto fora da curva, levando em consideração projetos similares do período, foi a forma como os roteiros trabalhavam as personagens femininas, espertas, fortes, evitando os clichês dos padronizados interesses românticos folhetinescos. Os episódios também arriscavam abordar temas espinhosos para o público-alvo, como alcoolismo, racismo, abuso doméstico e até doenças mentais, captando a atenção dos pais.

pilot - Crítica nostálgica da série "O Incrível Hulk" (1977-1982)

O maior acerto foi apostar no drama, as crianças pulavam na frente da TV, mas os adultos sentiam pena no momento da transformação, engatilhada pelos olhos embranquecidos e os planos de detalhe no tecido rasgando. E, claro, o mérito é todo de Bill Bixby, que exalava gentileza na frente e por trás das câmeras, um profissional que era querido por todos os colegas. Ele, extremamente versátil, também fez carreira como diretor, foi o amigo de Elvis Presley em dois de seus filmes mais divertidos da década de 60, “O Barco do Amor” e “O Bacana do Volante”, antes de se tornar mundialmente conhecido com a série, mas poucos viram seu melhor momento como ator, o telefilme “Steambath”, de 1973, adaptado da peça de Bruce Jay Friedman, que pode ser garimpado no mundo maravilhoso da internet. Faleceu em 1993, aos 59 anos, após enfrentar com muita dignidade um câncer de próstata, falando abertamente sobre o tema em programas de TV.

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Não é tão fácil encontrar todas as temporadas da série, há muitos episódios fracos e boa parte dos bons não passam no cruel teste do tempo, logo, eu preparei uma maratona que sintetiza o que de melhor “O Incrível Hulk” ofereceu, material que resiste em revisão, para fãs e não-iniciados. Boa sessão!

  • O Incrível Hulk – Como a Fera Nasceu, dirigido por Kenneth Johnson (telefilme piloto)

Um cientista pesquisador experimenta a si próprio e é acidental e inconscientemente exposto a uma dose maciça de radiação gama. Daí em diante, quando ele fica bravo ou indignado, ele se transforma na poderosa e verde criatura apelidada de “Incrível Hulk”.

  • Morte em Família, dirigido por Alan J. Levi (segundo telefilme)

Ao tentar acessar alguns sofisticados equipamentos de hospital, que podem ser a chave para a cura para suas transformações, David se depara com uma conspiração para assassinar uma jovem herdeira, cadeirante. Será que ele pode mantê-la segura e ao mesmo tempo não ser descoberto por McGee?

  • 747, dirigido por Sigmund Neufeld Jr. (sétimo episódio da primeira temporada)

Viajando pelo país em busca de uma cura, David embarca em um avião de passageiros que carrega uma exposição egípcia de valor inestimável. Quando o piloto e a aeromoça tentam roubar os artefatos, David se vê forçado a tentar pousar o avião com segurança antes que a tensão induza sua transformação no Hulk.

  • O Casamento do Incrível Hulk, dirigido por Kenneth Johnson (telefilme piloto da segunda temporada, com Mariette Hartley, que ganhou um Emmy vivendo a Dra. Caroline, o primeiro numa categoria não técnica para um seriado de ficção científica)

David viaja para o Havaí para buscar a ajuda da Dra. Caroline Fields, uma psiquiatra que ele acredita que será capaz de ajudá-lo, através da hipnose, a controlar suas transformações em Hulk. Quando David descobre que ela é acometida de uma doença terminal, ele concorda em oferecer sua experiência em troca da dela. Como os dois trabalham juntos, eles começam a formar um vínculo e se apaixonar. Mas será que esse romance acabará em tragédia?

  • O Julgamento do Incrível Hulk, dirigido por Bill Bixby (segundo telefilme produzido após o término da série)

Ao tentar impedir um assalto no metrô, David é preso e defendido pelo advogado cego Matt Murdock. Mas quando o Hulk enlouquece e escapa da cadeia, Murdock revela seu próprio segredo a Banner, ele age à noite como o vigilante “Demolidor”. Estes dois homens com poderes fora do comum decidem unir forças para derrotar um sindicato internacional liderado pelo maligno Rei do Crime.

Cotação: 3 stars - Crítica nostálgica da série "O Incrível Hulk" (1977-1982)

Abertura original:

“Lonely Man” (música de encerramento), composta por Joe Harnell:

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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