Crítica nostálgica da clássica série “Zorro” (1957-1959)

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Zorro (1957-1959)

O filho único de Don Alejandro retorna à Califórnia em 1892 para lutar contra a corrupção militar local. Durante o dia, ele é um elegante rapaz contrário ao uso da violência. Durante a noite, ele é o mascarado Zorro, que, acompanhado de sua espada de esgrima, enfrenta os inimigos da justiça.

Nós vivemos hoje uma realidade distorcida, em que muitos equivocadamente enxergam o conceito progressista como o exato oposto do que ele representa filosoficamente. O caminho do progresso é alimentado pela lucidez, logo, pelo repúdio à corrupção e inversão de valores, qualquer outro atalho é pura balela politiqueira para conquistar poder e se manter nele pelo maior tempo possível. A experiência de ter crescido vendo “Zorro” na televisão ajudou a formar esta consciência.

É fundamental, especialmente na infância, que o bem e o mal sejam definidos com tintas fortes, a confusão mental nesta fase tão psicologicamente frágil só serve àqueles que necessitam, em longo prazo, de adultos facilmente manipuláveis. Guy Williams, nome artístico de Armando Joseph Catalano, com seu carisma arrebatador, transmitia muito bem aos pequenos esta característica invergável da verdade.

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Guy Williams e Walt Disney

A direção dos primeiros episódios ficou sob a responsabilidade de Norman Foster, veterano que já havia trabalhado com Orson Welles e comandado algumas aventuras de Charlie Chan e Mr. Moto, além de bons Noir, como “Amei Um Assassino” e “Na Noite do Crime”. Ele brigou para que o papel principal do herói criado por Johnston McCulley fosse dado à Guy Williams, fazendo com que a primeira opção de Walt Disney, Britt Lomond, vivesse o vilão, Capitão Monastário.

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O adorável criado mudo Bernardo, vivido por Gene Sheldon, e o inesquecível Sargento Garcia, vivido pelo bonachão Henry Calvin, ajudaram a transformar o conceito em febre mundial. A fórmula era simples e certeira, um senso de humor que não subestimava a inteligência das crianças, com toques mais espirituosos, que apenas os pais compreendiam. E, claro, a boa e velha aventura de capa e espada, com coreografias empolgantes, mérito de Fred Cavens, que já havia treinado o herói em encarnações passadas, especificamente Douglas Fairbanks (1920) e Tyrone Power (1940).

No total, 78 episódios foram produzidos em duas temporadas, mais 4 especiais de maior duração, estruturados como nos antigos seriados para cinema, com histórias que duravam inicialmente cerca de 13 capítulos. O alto orçamento era perceptível na qualidade dos cenários e dos figurinos, algo que se destacava na época, mas o segredo do sucesso e, mais que isto, a vitalidade da série em revisão, levando em conta que o mundo se tornou um ambiente muito cínico nas últimas décadas, falam diretamente ao coração da obra, o respeito de Guy com o personagem, a sua crença sincera de que aqueles valores que ele defendia na frente das câmeras poderiam, mais do que apenas divertir, transformar as vidas dos seus pequenos fãs.

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No início da década de 70, já frustrado com as poucas oportunidades profissionais nos Estados Unidos, Guy recebeu um convite de Isabelita, a segunda esposa do presidente argentino Juan Perón, para visitar o país e receber o carinho dos muitos fãs da série. Ele ficou surpreso com o amor que aquele povo nutria por seu trabalho, emoção que ele fazia questão de enfatizar em várias entrevistas, decidiu então levar sua família e viver lá. Guy faleceu em 4 de maio de 1989, aos 65 anos de idade, mas seu legado criativo segue inspirando fãs no mundo todo.

Cotação: Azhar movie Star Ratings 2 - Crítica nostálgica da clássica série "Zorro" (1957-1959)

Abertura da série (versão brasileira) com a canção composta por Norman Foster e George Bruns, gravada originalmente pelo quarteto The Mellomen:

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Octavio Caruso
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