Críticas

Dica do DTC – “A Cilada”, de Hiroshi Teshigahara

No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

***

A Cilada (Otoshiana – 1962)

Um homem (Hisashi Igawa) vagueia por uma cidade aparentemente deserta com seu filho (Kazuo Miyahara) em busca de trabalho. Mas depois de um pouco de azar, ele se junta à população de almas perdidas da cidade.

O saudoso diretor Hiroshi Teshigahara, um dos artistas mais criativos da Nova Onda japonesa, costuma ser lembrado pelos cinéfilos dedicados por excelentes obras como “A Mulher da Areia” (1964) e “A Face do Outro” (1966), mas escolhi resgatar hoje esta pérola que apresentou seu trabalho ao mundo, marcando o início de sua parceria com o autor/roteirista Kobo Abe.

O toque especial que engrandece a trama é a opção de inserir elementos do kwaidan (história de fantasmas), garantindo uma perene aura onírica que contrasta com o cenário intensamente realista, opressivo e cruel. Você consegue perceber a origem de Teshigahara na pintura, influenciado pelo surrealismo, na forma como ele estabelece imagens e alusões evocativas puramente ilógicas.

O experimentalismo em suas obras é utilizado como provocação, o público é convidado ao final a questionar aquela realidade terrível, desafiando o conformismo.

  • Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.
Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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